CONEXÃO “CULTURAL”: RESENHA – “O PEREGRINO” (JOHN BUNYAN)

Mui amados, rogo-vos, como estrangeiros e peregrinos…”
1Pedro 2:11 (Bíblia King James)

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, foram persuadidos a respeito delas, e abraçaram-nas, e confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.”
Hebreus 11:13 (Bíblia King James)

Você com certeza já ouviu falar desse livro, de um filme com esse título ou de algum jogo com esse nome. Certamente já viu a capa dele no verso de alguma revista da Escola Bíblica Dominical, mas talvez nem deu tanta atenção.

Mas, você sabe do que realmente “O Peregrino” se trata?

Essa bela história foi escrita na Inglaterra durante o século XVII, mais precisamente no ano de 1678, por um pastor batista chamado John Bunyan. Chegou a ser, por vezes, o segundo livro mais vendido do mundo, atrás somente da Bíblia. Tornou-se o livro mais conhecido no meio cristão não somente de fala inglesa, mas de diversas línguas, inclusive na China, onde, clandestinamente, chegou-se a produzir 200 mil cópias que foram distribuídas em três dias, e desde o ano de sua publicação, há mais de três séculos atrás, “O Peregrino” jamais deixou de ser impresso. Trata-se de uma alegoria da vida cristã e uma verdadeira representação de todas as batalhas, conflitos e situações de uma caminhada rumo a Cidade Celestial.

A história começa quando Cristão (sim, esse é o nome do personagem) está perdido, atônito e indo de um lado para outro após ler num livro que a “Cidade da Destruição”, onde ele vivia, seria em breve destruída e que ele precisava sair dali para não morrer. Porque “os céus e a terra que hoje existem estão também preparados para o fogo, reservados para o Dia do Juízo e para a total destruição dos ímpios” (2Pedro 3:7). E esse choque de realidade se assemelha bastante com o processo de conversão, onde todos nós andávamos perdidos e “desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho” (Isaías 53:6), até nos encontrarmos com o verdadeiro conhecimento “da verdade, da justiça e do juízo” (João 16:8). Enfim, depois disso, Cristão deixa a sua família, esposa, filhos e amigos e começa a sua jornada. Pois como está escrito em Mateus 19:29,

“todos aqueles que tiverem deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terras, por causa do meu Nome, receberão cem vezes mais e herdarão a vida eterna.”
(Bíblia King James Atualizada)

A saída de Cristão da sua casa e a reação de seus familiares

Cristão começa a andar por um caminho estreito, “porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida” (Mateus 7:14), apontado ao Peregrino por um personagem que recebe o nome de Evangelista, e até certo ponto desse caminho ele carrega um fardo muito pesado em suas costas, que representava todas as suas culpas e angústias por causa da sua antiga vida de pecados, mas depois, já “cansado e sobrecarregado’‘ (Mateus 11:28), ele se livra desse fardo de uma forma maravilhosa e recebe novas vestes!

Cristão e seu fardo, uma das ilustrações do livro de Bunyan

Na caminhada cristã, nos deparamos com vários tipos de pessoas, situações e sentimentos, e cabe a cada um de nós sermos influenciados por elas ou não. Isso acontece também na história do Peregrino. Ele se encontra com diversos personagens com nomes de estereótipos e com muitos lugares bem distintos, como a própria Cidade da Destruição, a Feira das Vaidades, a Montanha da Dificuldade, o Pântano da Desconfiança e o Castelo das Dúvidas, além do gigante chamado Desespero, os vizinhos Obstinado e Vacilante, bem como o Hipócrita e o Formalista.

Cristão no Pântano da Desconfiança, ou Pântano do Desânimo

Mas também há lugares maravilhosos como a esplêndida Cidade Celestial cercada pelos Muros de Salvação. E boas companhias como a do Fiel, que se torna seu irmão durante a caminhada e que é preso e condenado juntamente com Cristão na já citada Feira das Vaidades. Fiel acaba cumprindo sua sina como já estava escrito: “sê fiel até a morte…” (Apocalipse 2:10), mas Cristão continua acompanhado por um amigo chamado Esperançoso.

Se você também gosta de ler histórias com batalhas, nesse livro também temos as inúmeras pelejas entre o Cristão e o Inimigo que tenta constantemente tirar de suas mãos o livro da vida (a Bíblia), o seu “diploma de salvação” que lhe permite entrar na Cidade Celestial e sua chave recebida pelo Evangelista.

Em Efésios 6 nós lemos a respeito da “armadura de Deus”, mas já imaginou como seria andar por aí usando uma armadura? Será que você ficaria como Davi, com dificuldades para andar com ela? Cristão precisava andar assim! Principalmente quando teve que enfrentar um demônio chamado Apoliom num vale conhecido como Vale da Sombra da Morte. E só pôde vencê-lo porque estava usando toda a armadura de Deus que recebera anteriormente. Cristão ainda passa por inúmeras adversidades como acidentes, torturas e chega até quase se afogar. Mas será que Cristão consegue chegar ao seu santo e desejado destino? Bom, isso você pode descobrir lendo o livro, jogando ou assistindo o filme! Boa viagem!

Cristão x Apoliom

Toda a obra usa diversas figuras de linguagem e é contada como se fosse um sonho do próprio Bunyan, voltando-se sempre a extrair dos eventos narrados algum ensinamento bíblico, nos moldes das parábolas bíblicas usadas por Jesus e por diversos profetas do Antigo Testamento, como Isaías (Isaías 5:1-7), Natã (2Samuel 12:1-5) e Jotão (Juízes 9:7-15).


A Palavra nos diz que também somos peregrinos nessa terra, e enquanto estamos no caminho o nosso adversário está “em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pedro 5:8), devemos vigiar pois “aquele que está em pé” deve olhar “para que não caia” (1Coríntios 10:12), esse inimigo, mesmo já derrotado (pelos jovens, inclusive, como disse João: “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno“, 1 João 2:14), continua enfurecido com o fato de ter perdido as almas de simples andarilhos como nós, apresenta todas as suas almas conquistadas anteriormente durante o caminho e parte em busca de outros peregrinos vulneráveis e propícios a serem derrotados – dentre os quais existe uma provável vítima: você! E aí, você está preparado?

“Enquanto aguardas a minha chegada, aplica-te à leitura…”
(1Timóteo 4:13)

Já leu “O Peregrino” antes? O que achou?
Está com vontade de conhecer ou de ler de novo?

Qual o próximo livro que você quer ver aqui no Conexão Umadesb?
Conta aí pra gente nos comentários!

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