Imagine a seguinte cena:
Você está trabalhando arduamente, dia após dia, independente do clima, para ter a vida que sempre sonhou. Quanto mais tempo investe, mais resultado positivo alcança. Porém, o mundo avança e com ele muitas novidades chegam, então aquilo que tinha conquistado já não é mais suficiente e o ciclo de trabalho recomeça. Mas tudo bem, não é mesmo? São os seus sonhos e todos nós estamos correndo atrás do nosso bem estar.

De repente, você encontra alguém e, todo empolgado, começa a contar sobre suas aquisições, vivências e como chegou até ali. Ao final, a pessoa simplesmente te encara e diz: “Louco!”. Olhando esse alguém indo embora, abrindo espaço entre a multidão apertada que transita rapidamente pelas ruas, como você reagiria? Certamente ficaria chocado – ou como muitos, com raiva.

Imagine a minha reação ao abrir a Bíblia em Lucas 12. 20 e perceber que esse louco sou eu. Ontem, no caminho para a faculdade, pensei no céu. No mesmo instante me entristeci porque não fazia ideia quando foi a última vez que fiz isso. Minha mente estava abarrotada, totalmente cheia de pensamentos sobre as coisas desta terra e, sem perceber, fui deixando meu relacionamento com Deus em segundo e até terceiro plano.

Não é errado corrermos atrás dos nossos sonhos, estudarmos e trabalharmos para ter uma boa vida enquanto estivermos aqui (o livro de Provérbios discorre a respeito desse assunto). O erro está no foco.
Até começamos bem, conciliando a vida material e espiritual, mas em certo ponto começamos a nos embaraçar. Aos poucos deixamos de ler a Bíblia, afinal as horas voam e quando menos esperamos já estamos dormindo; aquele tempo de oração que antes era sagrado, hoje é facilmente trocado por algo do cotidiano e nossa intimidade com o Espírito Santo vai se esvaindo; frequentar as reuniões não é necessário… Domingo à noite já está de bom tamanho.

Não pensamos mais no céu. Não falamos mais do céu. Não ansiamos verdadeiramente o céu, pois se assim fosse, estaríamos a todo instante nos preparando para O Grande Dia. Até nossas pregações mudaram o foco – o que mais vemos são sermões antropocêntricos, como se Deus precisasse de nós, mas não, Ele não precisa. Deus nos ama e por sua infinita misericórdia nos quer junto dEle, e isto não quer dizer que sejamos bons, pelo contrário, só evidencia o quanto somos indignos e dependentes desse amor. Não estamos vivendo como peregrinos. Queremos estabelecer moradas nesta terra, como o povo de Israel no Egito, e nos esquecemos de que temos uma promessa: Canaã não é aqui!

Pare e pense se você está vivendo como louco, assim como eu estava. O que tens semeado e para quem será? Trabalhe, estude, conquiste, mas faça isso para a glória de Deus. Não permita que os desejos dessa vida te encantem ao ponto de mudar seu alvo e te afastar do Pai.  A partir do momento que entregamos nossa vida a Deus, precisamos ter em mente que não vivemos mais para nós mesmos, e sim para aquele que por nós morreu e ressuscitou (II Coríntios 5.15).
Lembre-se disso: “Sou estrangeiro, mas compreendo que o eterno lar começa no momento em que vivo para Te encontrar (Deus)”.
O céu começa aqui, agora.

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